Em sua penúltima apresentação em território nacional, a última viria ser em Ribeirão Preto, o Angra mostra que apesar dos diversos comentários e suposições, a banda vai bem, obrigado.
A noite já prometia com uma grande fila se formando em frente ao Circo Voador. Quem chegou um pouco antes da abertura da casa ainda conseguiu ouvir parte da passagem de som da Innocence Lost.
Mari Torres (Innocence Lost)O show da Innocence Lost começou as 21:30, com parte do público ainda entrando no Circo Voador.
A banda é composta pelos músicos Mari Torres (Vocais), Heron Matias (Bateria), Aloysio Ventura (Teclados) e os mais novos membros, Ricardo Haquim (Baixo) e Gui DeLucchi (Guitarra).
A Innocence Lost está na estrada desde 2007 e conta com um EP lançado, Human Reason (2012). O primeiro full lenght tem previsão de ser lançado em 2024.
A banda optou por fazer um set apenas com músicas novas que agradaram bastante ao público. A banda mescla elementos de Progressivo e Melódico de forma bem consistente, o som durante o set nem sempre foi um primor, mas não interferiu no saldo positivo da apresentação.
Innocence LostEra chegada a hora do Angra, o público que já era grande atingiu sua lotação máxima. Sinceramente nunca vi o Circo Voador tão cheio. Para quem conhece a casa, apenas as mesas próximas ao bar e a área de merchandising tinham um ou outro lugar vago.
A banda vem divulgando o recém lançado álbum, Cycles Of Pain, o terceiro com Fábio Lione nos vocais, lançado no último mês de Novembro (2023).
A clássica abertura, Crossing convidava os presentes para voltar sua atenção para o palco. O baterista Bruno Valverde foi o primeiro a se posicionar seguido pelos guitarristas, Marcelo Barbosa e Rafael Bittencourt, o baixista Felipe Andreoli e o vocalista italiano Fábio Lione.
Lione que aparentava estar insatisfeito com algo em seu retorno, não se deixou abalar e começa a desferir os primeiros versos de um dos maiores clássicos da banda, Nothing To Say. Tiro certeiro para conquistar os presentes.
A segunda da noite foi Final Light, música do álbum Secret Garden, o primeiro de inéditas da banda com Lione e que já completa 9 anos. Indiscutivelmente, essa canção ficou melhor com o tempo. Com uma bela melodia de baixo, Tide Of Changes (Part I e Part II) foram as primeiras músicas de Cycles Of Pain a serem executadas.
Lione e Bittencourt (Angra)O set seguiu com Angels Cry, mais um dos grandes clássicos da banda seguida por Vida Seca, mais uma das novas e que traz inicialmente o guitarrista Rafael Bittencourt iniciando os vocais.
Após mais algumas canções, a banda sai a francesa e Lione interage com o público com alguns digamos, desafios vocais. Rafael retorna ao palco e dedica um breve set acústico a Andre Matos. A comoção é generalizada. A primeira a ser executada é Lullaby For Lucifer (Holy Land, 1996), contando com apenas Rafael no palco, seguida por Gentle Change (Fireworks, 1998) acrescido de Lione aos vocais.
A banda retorna com a música que dá nome ao novo álbum, Cycles Of Pain, que os presentes fizeram questão de demonstrar que já está assimilada por eles. Outro momento ímpar foi na execução da balada Bleeding Heart (Hunters And Prey, 2002) com os presentes cantando a letra na versão em português gravada pelo grupo de forró Calcinha Preta.
Fábio Lione (Angra)Claro que outras canções irretocáveis da banda foram entoadas, Rebirth, Carry On, Waiting Silence, assim como as recentes Ride Into The Storm, Here In The Now e Dead Man On Display.
Saldo da noite, a Innocence Lost mostra um respiro das bandas cariocas, muitos dos presentes usando suas camisas e a banda bem aclamada pelo público. O Angra em turnê do seu décimo álbum de estúdio, com músicos empenhados e de extrema habilidade, entregou o que tinha que ser entregue, um puta show.
As músicas novas soaram bem ao vivo, uma pena o painel de led não cobrir o fundo do Circo inteiramente. O som da casa estava muito bom, como de costume, e a iluminação exemplar. Mais uma noite histórica.
Marcelo Barbosa (Angra)Agora, alguns pontos relevantes, mas que não dizem respeito diretamente ao show.
A quantidade de exposição da banda nas redes sociais, sobretudo o Youtube, talvez esteja deixando os membros da banda um pouco cansados. Imagina você estar em um processo de composição, sair em turnê e ter que ficar lembrando e se explicando por coisas de 20 anos atrás? Cara, já deu, vamos deixar o povo trabalhar em paz.
Cycles Of Pain, mostra que o Angra assumiu uma nova identidade musical talvez definitivamente, e isso não é ruim. A banda possui ainda algumas de suas características iniciais, mas está com um som bem mais intrincado e trabalhado. O que se mostra na verdade uma progressão natural, a banda passou por várias mudanças de membros e isso traz novas influências e musicalidades.
O fato de termos alguns dos membros participando ativamente de outros projetos, ou as vezes mesmo de forma pontual, faz com que o horizonte musical se estenda. Tivemos por exemplo Andreoli substituindo Bily Sheehan na turnê sul-americana do Sons Of Apollo, além de seu envolvimento com o Matanza Ritual, Bruno Valverde participou dos shows com a dupla Smith / Kotzen, só para citar alguns.
Sei que alguns hoje podem não concordar totalmente com o caminho que a banda leva, e isso é normal, mas esses mesmos encontrarão significado e entendimento posteriormente.
Innocence Lost Setlist: Of Men’s Fall / Dark Forest / Fallen / Wake Up / Iris / The Trial / The River / Oblivion.
Angra Setlist: Crossing / Nothing to Say / Final Light / Tide of Changes – Part I / Tide of Changes – Part II / Angels Cry / Vida seca (Fabio and Rafael on vocals) / Dead Man on Display / Rebirth / Morning Star / Here in the Now / Cyclus Doloris / Ride Into the Storm / Lullaby for Lucifer (Acústica) / Gentle Change (Acústica) / Cycles of Pain / ØMNI – Silence Inside / Bleeding Heart / Waiting Silence / Bis: Unfinished Allegro / Carry On / Nova Era / ØMNI – Infinite Nothing.













