Ex-integrantes do Fear Factory preparam disco de estreia com Raymond Herrera na bateria

Por Rock Notícias 1 dia atrás
Ex-integrantes do Fear Factory preparam disco de estreia com Raymond Herrera na bateria

Quem achou que Christian Olde Wolbers ia recuar, errou feio. O ex-baixista e guitarrista do Fear Factory aposentou o nome Angst Fabrik — e trocou por outro tão provocativo quanto: Machines of Hate.

E fez isso sem soltar uma linha. Não houve post, comunicado ou anúncio: o perfil oficial simplesmente passou a atender por @machinesofhate_bandofficial, com a bio reescrita para o nome novo. A conta é a mesma — todo o histórico do Angst Fabrik segue no ar, incluindo o post de 24 de fevereiro de 2025 em que o nome antigo foi revelado. O sinal já estava dado: no vídeo publicado em 7 de setembro, a hashtag #machinesofhate vinha junto do anúncio mais barulhento do projeto até agora. Poucos dias depois, virou o nome do perfil.

A piada é que nem esse é definitivo. A bio avisa, com direito a emoji de obra: "Machines Of Hate is the 🚧 Working 🚧 title". Era exatamente o que diziam do Angst Fabrik. Wolbers trocou um nome provisório por outro nome provisório, e encerra o texto com um "tbc..." — a confirmar.

Mas entenda o tamanho da alfinetada. Angst Fabrik é, literalmente, "fábrica do medo" em alemão — tradução direta de Fear Factory. Ninguém no metal engoliu a história de "título provisório". O nome novo não é recuo: "Machines of Hate" é faixa do próprio Fear Factory, do álbum de remixes Remanufacture (Cloning Technology), de 1997 — disco da fase clássica, com Wolbers no baixo e Raymond Herrera na bateria. Saíram de uma tradução do nome da banda para um título do catálogo da banda. Trocaram a provocação por uma provocação mais refinada.

Raymond Herrera está de volta!

E a bio traz outra informação que passou batida pela imprensa gringa: Raymond Herrera consta oficialmente como integrante. O texto do perfil descreve o projeto como "a nova empreitada dos ex-membros do Fear Factory Christian Olde Wolbers e Raymond Herrera". Até então, o que se sabia era apenas que ele havia aparecido gravando — agora está listado na formação.

E que volta. No vídeo de estúdio de 7 de setembro, Herrera aparece atrás do kit pela primeira vez em cerca de 16 anos. A legenda não economizou no simbolismo: "After 16 years away from the kit, the machine woke back up. Still runs" — a máquina acordou, e ainda funciona.

Importante desfazer um mito que circula: Herrera nunca abandonou a música. Depois de sair do Fear Factory em 2009 — quando Burton C. Bell decidiu remontar a banda com Dino Cazares, deixando ele e Wolbers de fora — o baterista ainda gravou com o Arkaea, ao lado do próprio Wolbers. O que veio depois foi um afastamento do instrumento, não da indústria: ele foi para estúdio, produção e, principalmente, licenciamento e trilha sonora para videogames, com créditos em franquias como Ghost Recon, Rainbow Six e Scarface. Ficou 16 anos atrás do console. Agora voltou pro kit.

Do outro lado do ringue, Dino Cazares não deixou passar. Dono legal da marca Fear Factory desde a longa guerra judicial que consumiu a banda, o guitarrista respondeu ao vídeo do ex-companheiro com uma paródia debochada, fingindo anunciar a própria volta à bateria e mandando os fãs comprarem ingresso no site oficial. Cazares segue no comando: o Fear Factory atual tem Milo Silvestro nos vocais, lançou o single "Roboticist" em agosto e prepara o 11º álbum de estúdio.

Falta uma peça no tabuleiro — e todo mundo sabe qual. Burton C. Bell chegou a reaparecer ao lado de Wolbers em janeiro de 2025, o que acendeu o sonho de uma reunião da formação clássica por fora do Fear Factory. Durou poucos meses: em abril, Bell se distanciou publicamente do projeto, cravando que Fear Factory só existiu um. Hoje ele finaliza seu primeiro disco solo e prepara uma turnê de spoken word sobre o álbum Obsolete.

Do resto, pouca coisa. Uma atualização de agosto de 2025 falava em 14 músicas escritas. O baterista Adam Jarvis (Pig Destroyer, Scour) chegou a ser citado como integrante no início do projeto, mas não aparece na formação atual do perfil — com Herrera no kit, sua situação segue indefinida. Vocalista, gravadora e data de lançamento continuam em segredo. E o perfil, curiosamente, soma apenas sete publicações e pouco menos de 4 mil seguidores: muito barulho, pouca vitrine.

Dois nomes provisórios, duas versões da mesma história, e nenhum dos lados disposto a soltar o osso. A fábrica do medo virou, oficialmente, uma fábrica de indiretas.


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